sexta-feira, 30 de setembro de 2011

PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS NO REINADO DE DOMICIANO


TITO FLÁVIO DOMICIANO



No ano 81 Domiciano (51-96d.C.)  sucede o Imperador Tito, no início do seu reinado foi benigno para com os cristãos, mas o final do seu reinado é marcado por uma intensa perseguição sendo chamado por Tertuliano[1] de a outra metade de Nero.[2]

Domiciano era um amante das tradições romanas e passou a ver no Cristianismo, que em algumas regiões do Império havia ganho muitos seguidores, uma ameaça para estas tradições. Nesta época o Templo de Jerusalém não existia mais então Domiciano decidiu que todos os judeus deviam enviar às arcas imperiais a oferta anual que antes mandavam a Jerusalém. Quando alguns judeus negaram a fazê-lo ou mandavam o dinheiro ao mesmo tempo que deixavam bem claro que Roma não havia ocupado o lugar de Jerusalém, Domiciano começou a persegui-los e a exigir o pagamento da oferta. Já que ainda não estava totalmente delimitada a relação do judaísmo com o cristianismo, os funcionários imperiais começam a pressionar todos os que praticavam "costumes judaicos". Assim se destacou uma nova perseguição que parece haver sido dirigida, não somente contra os cristãos, mas também contra os judeus.[3]

A perseguição infligida por Domiciano não atingiu todo o Império, somente a cidade de Roma e a Ásia Menor. Em Roma mandou executar seu parente Flávio Clemente e sua esposa Flávia Domicilia, os acusando de ateísmo e de costumes judaicos. Por adorarem um Deus invisível geralmente os cristãos eram acusados de serem ateus. Provavelmente, Flávio Clemente e sua esposa tenham sido mortos por serem cristãos. Estes são os únicos dois mártires romanos no tempo de Domiciano que conhecemos pelo nome. mas vários escritores antigos afirmam que foram muitos, e uma carta escrita pela igreja de Roma à de Corinto pouco depois da perseguição se refere a "os males e provas inesperadas e seguidas que sobrevieram a nós" (I Clemente 1).[4]


A ÁSIA MENOR ATUALMENTE CORRESPONDE A ATUAL TURQUIA


A pena capital não era a única punição imposta, pois puniu sem motivo vastos números de homens honrados com exílio e confisco de suas propriedades.[5]

Na ocasião desta perseguição, João era o último dos apóstolos ainda vivo, segundo a tradição o Imperador deu ordem para que João fosse trazido à sua presença, este fato aconteceu no ano 92, após ter sido interrogado pelo Imperador e não negar a Cristo, o apóstolo João foi condenado a ser mergulhado em uma caldeira fervendo. Esse gênero de suplício não era desconhecido, e a história dos mártires nos mostra vários cristãos mergulhados em caldeiras. No centro de todas as termas, mesmo nos grandes banheiros particulares, havia uma grande bacia de formato circular chamada Caldarium, rodeada de grades, dentro da qual estava colocado um reservatório de água incessantemente aquecida por chamas subterrâneas que lhe abrasavam os lados. "A temperatura dentro daquele reservatório era tão grande, diz Sêneca em uma das suas cartas, que poder-se-ia condenar a ser queimado vivo algum grande criminoso". (...) Porém, para espanto dos ímpios e júbilo dos cristãos, João não morreu. Segundo a tradição de Clemente , " a caldeira ardente e fumegante tornou-se subitamente em suave orvalho." Todas as ordens do pretor, toda a cólera dos carrascos foi incapaz de fazer acender de novo a fornalha; e, como uma águia, João saiu do seio das chamas remoçado e renovado.[6]

O apóstolo recebe então a pena que era comum a todo réu poupado de morte, foi exilado para as fronteiras do Império, no seu caso foi condenado a morar na ilha de Patmos [7]  por causa do seu testemunho a respeito da palavra divina[8], sendo nesta ocasião que escreveu o Livro do Apocalipse.

O APÓSTOLO JOÃO NA ILHA DE PATMOS


No final do seu reinado Domiciano era considerado um tirano, e no dia 15 de setembro do ano de 96 foi assassinado dentro de seu palácio. Foi sucedido por Nerva (30-98 d.C.), do qual os primeiros atos foi chamar os banidos, os condenados por causa de impiedade[9]. Beneficiado por este decreto o apóstolo João deixa a ilha de Patmos e volta para a cidade de Éfeso, onde pastoreia a igreja desta cidade e morre aos 100 anos de idade.



FILME "O APOCALIPSE", ONDE ESTA PERSEGUIÇÃO É RETRATADA.

Esta foi a última perseguição imperial ao cristianismo no século I, tendo os cristãos gozado um período de relativa paz e continuando a se espalhar pelo Império.



Notas:

Este artigo é de autoria da minha esposa que também é Bacharel em Teologia.

[1] Tertuliano (155-220d.C.) foi um dos mais famosos teólogos latinos, foi ele quem criou o termo Trindade.

[2] BAUNARD, 2003, 267.

[3] GONZÁLEZ, 2009, 58.

[4] Idem, 60.

[5] História Eclesiástica, livro 3 capítulo XVII.

[6] BAUNARD, 2003, 269-270, 274

[7] Patmos é uma ilha rochosa vulcânica com 28 quilômetros quadrados e distante 100 quilômetros do porto de Éfeso, João foi condenado a trabalhar nas minas desta ilha.

[8] História Eclesiástica, livro 3, capítulo XVIII

[9] BAUNARD, 2003, 288.


Referências Bibliográficas:

BAUNARD, Michell. Ele Viu Os Céus Abertos. 1 ed. Rio de Janeiro: Central Gospel, 2003.

CESARÉIA,  Eusébio de. História Eclesiástica, Os primeiros quatro séculos da Igreja Cristã. 7ª ed. Rio de Janeiro: Casa publicadora das Assembleias de Deus, 2007.

GONZÁLEZ, Justo L. A Era dos Mártires, Uma História Ilustrada do Cristianismo vol. 1 1 ed. São Paulo: Vida Nova, 2009.


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