sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O QUE É O RASTAFARIANISMO?



No dia 1º de março de 1958, um grupo de 300 homens e mulheres e crianças se reuniu num centro comunitário do bairro miserável de Back-O-Wall, em Kingston, na Jamaica. Na manhã seguinte, o jornal The Star registrou o acontecimento em tom alarmista: qualquer que fosse a razão do encontro, não poderia ser boa coisa. Os moradores daquela vizinhança tinham fama de malandros - dizia-se que viviam de bicos e pequenos furtos.


A reunião, na verdade, foi a 1ª Convenção Universal do Rastafarianismo. À noite, os participantes dançaram ao ritmo de tambores, fumaram maconha e se aqueceram ao lado de fogueiras feitas com pneus velhos. Acima de tudo, entoaram hinos ao imperador Hailé Selassié (1892-1975), da Etiópia, que estava no poder desde 1930. Selassié, para os rastafáris, tinha outra identidade: ele era ninguém menos que Deus (ou Jah, corruptela de Jeová). Seria a 3ª encarnação do Todo-Poderoso, depois de Moisés e Elias.

Se a divindade do imperador etíope parecia uma excentricidade, os demais artigos da fé rastafári primavam pelo caráter polêmico. Eles advogavam a superioridade da raça negra e conclamavam os jamaicanos a voltar para a Etiópia - a Terra Prometida. A Bíblia deveria ser lida com cuidado, pois muitos trechos teriam sido deturpados para manter os negros na servidão. O uso da maconha, por outro lado, estaria corretamente registrado - e liberado! - nas Escrituras: "Fazeis brotar a relva para o gado, e plantas úteis para os homens" (Salmo 103.14). E o reagge... Bem, por mais estranho que isso possa parecer, o reagge não era unanimidade. Apesar da explosão do gênero a partir de 1975, quando Bob Marley lançou o álbum  Natty Dread, os mais linha-dura torciam o nariz para ele. A música genuinamente rastafári, segundo os "ortodoxos", seria  o nyabingi - um ritmo africano quase desconhecido.

Certa vez, o próprio imperador Selassié negou ser Deus. Numa visita à Jamaica, em 1966, desapontou seus devotos declarando-se um reles mortal, e convidou os jamaicanos a abraçarem a Igreja Cristã Ortodoxa Etíope. Não adiantou. Segundo as pesquisas mais recentes, aproximadamente 10% dos habitantes da ilha ainda se declaram rastafáris.



Referência Bibliográfica:

Revista Superinteressante: Deus: O que existe acima de nós? As respostas das religiões (e as da ciência) para a pergunta mais inquietante de todos os tempos. Edição 263 -A - Março de 2009; Editora Abril, São Paulo; SP.

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