terça-feira, 30 de abril de 2013

PÃO NOVO



"Era um fim de tarde de sábado. Eu estava molhando o jardim da minha casa, quando vi um menino parado junto ao portão. Olhando, me perguntou?
- Dona, tem pão velho?
Essa coisa de pedir pão velho sempre me incomodou...Olhei para aquele menino tão triste e perguntei:
- Onde você mora?
Ele logo me respondeu:
- Depois do zoológico.
Então comentei:  - Bem longe, hein?
Com a voz triste, disse-me: - É... mas eu tenho que pedir as coisas para comer.
Fiquei interessada pela vida do menino e perguntei-lhe: - Você está na escola?
- Não. Minha mãe não pode comprar material - ele respondeu, esperando continuar o diálogo.
- Seu pai mora com vocês?
- Não ele sumiu.
E o papo prosseguiu, até que eu disse:
- Vou buscar o pão. Serve pão novo?
- Não precisa, não. A senhora já conversou comigo, isso é suficiente.

Essa resposta caiu em mim como um raio. Tive a sensação de ter absorvido toda a solidão e a falta de amor daquela criança. Tão nova e já sem sonhos, sem brinquedos, sem comida, sem escola e tão necessitada de um papo, de uma conversa amiga.
Quantas lições podemos tirar desta resposta: " Não precisa, não. A senhora já conversou comigo, isso é suficiente!"
Que poder mágico tem o gesto de falar e ouvir com amor! Os anos se passaram e continuam pedindo 'pão velho' na minha casa... e eu dando 'pão novo', mas procurando antes compartilhar o pão das pequenas conversas, o pão dos gestos que acolhem e promovem.
Este pão de amor não fica velho, porque é fabricado no coração de quem acredita naquele que disse: 'Eu sou o pão da vida!'"
(Autor desconhecido)

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