sábado, 20 de agosto de 2011

RELIGIÕES DA CHINA (PARTE I) - CONFUCIONISMO

O Confucionismo é uma religião oriental baseada nas idéias do filósofo chinês Confúcio (551-479 a.C.), considerado o maior pensador da história da China. O princípio básico do Confucionismo é a busca do Caminho (Tao), que garante o equilíbrio entre as vontades da terra e as do céu.


Confúcio


Confúcio viveu numa época em que a China se encontrava dividida em estados feudais que lutavam pela supremacia do poder. Estas guerras eram seguidas de execuções em massa. Soldados eram pagos para trazer as cabeças de seus inimigos. Populações inteiras eram massacradas através da decapitação de mulheres, crianças e velhos. Estes números poderiam alcançar até 400 000. Devido a esta situação de anarquia, Confúcio elabora uma filosofia pessimista em relação a natureza humana, sendo caracterizada por um relativo racionalismo, pois não se preocupa com problemas religiosos ou metafísicos mas somente no Estado, na sociedade, na família. Para Confúcio o homem deveria agir de acordo coma sua posição, ou seja deveria conhecer o seu lugar no mundo, e consequentemente cumprir com a sua obrigação. Portanto o ideal humano é definido na doutrina da retificação dos nomes (cheng-ming), por exemplo o rei age dentro dos ideais que lhe foram estabelecidos como rei, um pai age conforme o ideal de pai e assim por diante, até as mais humildes funções.


Embora não tenha pregado propriamente uma religião, Confúcio incorporou à filosofia chinesa valores espirituais elevados de um modo de vida. Dentre esses conceitos está o de humanidade (jen), em que, para alcançar a paz neste mundo, é necessário praticar a benevolência para com os outros. Além disso é necessário fazer o bem sem esperar recompensa. Ensinava que os ritos e a música deveriam expressar plenamente o seu potencial de encorajar um comportamento virtuoso.

Para Confúcio a virtude do poder, e não a força física, era necessária para dirigir qualquer sociedade. Todo governante, segundo ele, deveria ter esta autoridade para inspirar seus súditos à obediência. Cada governante deveria ser benevolente, proporcionar um bom padrão de vida para o povo e promover a educação moral e os ritos. Sem esta conduta, o homem não saberia oferecer a adoração correta aos espíritos do universo, não saberia estabelecer a diferença entre o rei e o súdito, não saberia a relação moral entre os sexos, e não saberia distinguir os diferentes graus de relacionamento na família.

Uma das idéias principais de Confúcio era que a natureza e o universo estão em harmonia, e que isso deve se aplicar também ao homem. para esse fim, Confúcio adotou antigos conceitos chineses e os adaptou a seus próprios objetivos. O "tao" é a harmonia predominante do universo, ou seja, o relacionamento bom e equilibrado entre todas as coisas, tornando o indivíduo superior em seu caráter e em suas ações, conduzindo o seu próprio ser à dimensão cósmica.

Para Confúcio existe uma lei suprema que rege a natureza e a sociedade humana, denominada Mandato Celeste (tien ming). O homem perfeito deve esforçar-se no sentido de conhecer essa lei e agir segundo a mesma. Num pequeno texto autobiográfico, Confúcio resume o processo de sua evolução moral e de certa forma condensa todo o seu ensinamento:
" Com 15 anos meu coração se aplicou ao estudo. Com 30 anos, eu podia manter-me em pé. Com 40 anos, estava livre de dúvidas. Com 50, conheci o Mandato Celeste. Com 60, tornei-me obediente ao mesmo. Com 70, tornei-me capaz de seguir livremente os desejos do meu espírito, sem transgredir os limites do que é justo."


Quando um discípulo o interrogou sobre a morte, Confúcio respondeu ironicamente que os homens, que nem mesmo a vida conhecem, são pretensiosos em querer conhecer a morte. A outro discípulo que o interrogou sobre a  atitude correta a ser guardada pelo homem em relação aos espíritos, respondeu que os homens deveriam em primeiro lugar aprender a correta atitude para se relacionarem entre si mesmos.

O único conceito verdadeiramente religioso no pensamento de Confúcio é o Mandato Celeste, que o homem deve esforçar-se por conhecer e obedecer.

Os confucionistas prestam culto a seus antepassados pela veneração e oferendas que podem ser feitas em altares domésticos ou no templos. Os rituais mais importantes são os da vida familiar, com destaque para o casamento, por criar uma nova família, e para os funerais. Um dos aspectos do confucionismo que tem conseguido adeptos no Ocidente é o Feng Shui, conjunto de definições sobre como construir e ocupar casas ou edifícios, desde a escolha do terreno até a divisão dos cômodos, suas funções e objetos, de forma a garantir que a energia vital da terra, chamada Chi, possa fluir e garantir saúde, harmonia, paz prosperidade e felicidade a seus ocupantes.


Símbolo Feng Shui


Os ensinamentos do confucionismo estão reunidos em nove livros agrupados em duas coleções, os chamados  Wu Ching, ou "Os Cinco Clássicos", que incluem textos atribuídos a Confúcio e a outros autores de períodos anteriores, e os Quatro Livros.

Os Cinco Clássicos contém antigos documentos e tradições que remontariam às próprias origens da civilização chinesa e que teriam sido compilados pelo próprio Confúcio. São eles:
Shu Ching: Clássico de Política
Shih Ching: Clássico de Poesia
Li Ching: Livro dos Ritos, visão social
Chun-Chiu: Visão histórica
Ching: Livro das Mutações, que aborda os aspectos metafísicos da vida.

Os Quatro Livros são:
Lun yu ou Anacletas: Compreende pequenos diálogos entre Confúcio e seus discípulos, e que, segundo a moderna crítica histórica, é o único dos clássicos confucianos que realmente contém palavras atribuídas ao próprio Confúcio.
Tahisiieh ou Grande Ensinamento: Coleção de tratados escritos pelos confucionistas dos séculos III e II a.C.
Chung yung ou Doutrina do Meio: Atribuído a um neto de Confúcio.
Meng-tzu: Contém os ensinamentos do seguidor de Confúcio que tem o mesmo nome.

Desde o início da era cristã, iniciou-se uma veneração oficial a Confúcio. por séculos em Pequim, tanto os imperadores chineses como os mandarins adoravam e faziam rituais de ofertas e sacrifícios à Confúcio. Uma  média de 62.606 animais eram oferecidos anualmente nos altares  de mais de 1560 templos de toda China. O Confucionismo deixou de ser um sistema ético e se tornou uma religião.

Templo de Confúcio em Beijing


Durante séculos o Confucionismo foi a religião estatal chinesa, mas após a vitória do partido comunista na China (outubro de 1949), predominou uma atitude de crítica ao Confucionismo, que passou a ser considerado doutrina conservadora e obscurantista, associada às estruturas feudais e patriarcais de uma China colocada por longos séculos de isolamento e estagnação em posição de inferioridade ante o Ocidente. Confúcio passou a ser apresentado como a negação do "pensamento de Mao Tsé-tung" e seu nome e seus ensinamentos foram apresentados à execração do povo.

Atualmente a maioria dos chineses baseia sua filosofia de vida no Confucionismo.


Referência Bibliográfica:

DAMIÃO, Valdemir. História das Religiões - Sua influência na formação da humanidade. 3ª ed. Rio de Janeiro, Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2007.




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