sábado, 16 de julho de 2011

HILÁRIO DE POITIERS, O MARTELO DOS ARIANOS




A controvérsia ariana. Parte II

Hilário nasceu na cidade de Poitiers, por volta do ano 315 d.C. Segundo ele mesmo afirma, se converteu ao Cristianismo ao ler o prólogo do Evangelho de João, onde se diz que o Verbo se fez carne, para que os homens se tornassem filhos de Deus. No ano de 350, casado e com uma filha, se torna bispo de sua cidade natal.


Até este momento a controvérsia ariana não havia alcançado a Gália[1], mas durante o sínodo de Milão em 355, quando o imperador Constâncio obriga os bispos a confirmarem o exílio de Atanásio, Hilário acaba se envolvendo nesta controvérsia e se torna juntamente com Atanásio, um dos "martelos do arianos" devido a dureza de suas refutações ao arianismo, cujos seguidores considera "hereges e blasfemadores"[2]. Esta atitude fez com que Hilário fosse mandado para o exílio na Frigia[3] entre os anos 356 e 359 d.C., onde redige sua obra-prima: os doze livros A Trindade.

Quando volta do exílio, na Gália, empenha-se para reconquistar as Igrejas ao Catolicismo Trinitário. Polemiza com os arianos, em especial Auxêncio, bispo de Milão.

Hilário possuía uma teologia mais especulativa que Atanásio, pois enquanto este parte da exigência da divinização para demonstrar a divindade do Verbo e, por isso, de Cristo salvador e divinizador, Hilário parte do Pai como eterno gerador para tirar daí a consequência da divindade do Verbo encarnado.

O ponto de partida de sua reflexão trinitária é a fórmula batismal ensinada por Jesus[4], sendo que esta é suficiente para os fiéis, mas devido aos erros dos arianos, ele se via obrigado " a tratar de coisas ilícitas, escalar cumes perigosos, falar do que é inefável e ousar o que é proibido. Quando somente com a fé deveríamos cumprir os seus preceitos, isto é adorar o Pai e , com Ele, venerar o Filho e enriquecer-nos com o Espírito Santo, somos forçados, com a fraqueza de nossa palavra, a estender-nos até as coisas inenarráveis e , pelo erro alheio, juntar-nos ao erro, de modo que aquilo que seria necessário guardar com respeito nas mentes agora seja exposto, não sem perigos por meios de palavras humanas."[5]

Para Hilário, o fato de ser Filho, prova que Jesus é da mesma natureza que o Pai, pois " não é filho o que tem uma natureza diferente da do pai. E como o Pai seria Pai se não tivesse gerado o Filho de sua mesma substância e natureza?" [6]

Por ser totalmente amor, na geração do Filho, o Pai comunicou toda a sua divindade ao Filho: " Deus não sabe ser outra coisa senão amor, nem outra coisa a não ser Pai. Quem ama não inveja, e quem é Pai é inteiramente Pai, e não é outra coisa. (....) Assim sendo, é forçoso que, pelo fato de ser Pai, seja em tudo Pai daquele que gerou de si mesmo, porque a perfeita natividade do Filho consuma em perfeição a sua paternidade. Se é verdadeiro Pai para o Filho, é necessário que o Filho tenha as propriedades que o Pai possui." [7]

Quando Hilário morreu em 367 d.C, o arianismo estava praticamente vencido no ocidente, pois no reinado de Teodósio ( 346-395 d.C.), que era simpático a fé trinitária, em 381, no Concílio de Constantinopla, o arianismo é banido definitivamente do Império Romano, sendo a ortodoxia trinitária adotada como forma de Cristianismo oficial.


Notas:

[1] A Gália era uma província romana, e correspondia ao atual território da França, algumas partes da Bélgica e da Alemanha e o norte da Itália.

[2] Tratado sobre a Santíssima Trindade, livro 2,2.

[3] A Frigia atualmente corresponde a região central oeste da Turquia.

[4] " Ide, pois, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em o nome do Pai; do Filho, e do Espírito Santo;" Mateus 28,19

[5] Tratado sobre a Santíssima Trindade, livro 2,2.

[6] Idem, 3

[7] Idem, livro 9, 61


Referência Bibliográfica:


Bíblia Sagrada, Tradução Brasileira. Barueri. Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

PIERINI, Franco; A Idade Antiga - Curso de História da Igreja I, 2ª ed. São Paulo: Paulus; 2004.

POITIERS, Hilário de; Tratado sobre a Santíssima Trindade. Coleção Patrística vol.22, 1. ed. São Paulo: Paulus 2005.






















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