Noé era a décima
geração depois de Adão, era filho de Lameque e neto de Matusalém.
Noé e sua família viviam num mundo tão violento e pecador que Deus
decidiu “destruir da face da Terra o homem que criou”, “Noé
porém achou Graça aos olhos do Senhor”. Deus lhe revelou o seu
plano e fez uma promessa de salvar a ele e sua família. Deus mandou
Noé construir uma arca porque iria fazer cair água do céu e
inundar toda a Terra.
A
CONSTRUÇÃO DA ARCA:
Deus deu um projeto a Noé
que duraria 120 anos. Ele teria de construir uma grande arca com um
propósito único: providenciar existência segura e bem ordenada
para a sua família e para uma grande variedade de criaturas. O
tamanho era enorme (300 côvados de comprimento, 50 côvados a sua
largura e 30 côvados de altura), um côvado mede cerca de 45 cm.
arca era constituída
de 3 andares com compartimentos e uma janela no teto, era feita de
madeira de gôfer, nome que
só aparece em Gn 6.14, não se sabe nada com certeza sobre esta
madeira. Uma conjectura mais plausível é que a arca teria sido
construída com madeira de cipreste. Segundo parece tanto o verbo
(betumarás), como o substantivo (betume), hebraico k-p-r
nos dois casos, relacionam-se estreitamente com o termo hebraico que
significa expiar, expiação. Talvez haja nisto mais que uma feliz
coincidência verbal (bem adequada à narrativa do julgamento e
salvação), pois ambas as palavras provavelmente repousam num
sentido básico que lhes é comum, a saber, “cobrir”.
O
DILÚVIO:
Estando a arca concluída
e Noé, sua família e os animais terem entrado nela, o Senhor fechou
por fora a porta da arca, e começou assim o dilúvio, que duraria 40
dias e 40 noites, concretizando assim o juízo de Deus sobre a Terra.
Em Gn 7.20 a Bíblia diz
que “quinze côvados acima prevaleceram as águas e os montes foram
cobertos “refere-se às águas livres acima dos montes, não a
profundidade total. Possivelmente, como sugerem muitos,pode-se saber
a medida pelo calado da arca depois de carregada (isto é, a metade
de sua altura de trinta côvados), que tinha ficado livre de todos os
obstáculos. Alguns dos escritores que acham que o dilúvio foi
global,fazem a conjectura de que no mundo antediluviano as principais
cadeias de montanhas não tinham se erguido ainda.
Segundo os relatos
Bíblicos (Gn7.11 e Gn8.14) Noé e sua família teriam passado cerca
de 1 ano dentro da arca, o seguinte quadro demonstra este fato:
Referências Acontecimentos Datas (em
termos da vida
em
Gênesis de Noé)
7.11 O dilúvio começa 17.II.600
7.12 Cataclismo até o 40 dia 26.III.600
7.24 Inundação até o 150 dia 16.VII.600
8.4 A arca encalha 17.VII.600
8.5 Visíveis os picos dos montes 1..X.600
8.6,7 Enviado o corvo 10.XI.600
8.8 Enviada a pomba 17.XI.600
8.10,11 A pomba e a folha 24.XI.600
8.12 Vai-se a pomba 1.XII.600
8.13 Surge a terra seca 1.I.601
8.14 O desembarque 27.II.601
A arca teria repousado
“sobre os montes de Arará”, que fica situado na parte oriental
da Turquia, muito perto da fronteira com o Irã e da antiga União
Soviética. Os seus cumes, que sobem 5156 metros, estão cobertos de
neves perpétuas.
NARRATIVAS
EXTRA-BÍBLICAS DO DILÚVIO:
Narrativas de uma grande
inundação acham-se na maioria dos lugares do mundo, da Europa aos
Mares do Sul, e das Américas ao Extremo Oriente.
Pormenores dispersos
nessas narrativas podem trazer-nos à mente, em graus variáveis, o
dilúvio de Noé. Na narrativa grega, o barco de Deucalião, como o
de Noé, era um cofre ou caixão (mas não do mesmo tamanho enorme),
e eventualmente pousou numa montanha. Alguns contos dos índios norte
americanos falam de pares de animais levados a bordo de uma balsa, e
de aves enviadas como meio de reconhecimento. É razoável pensar que
algumas reminiscências do dilúvio de Noé foram levadas a partes
distantes pelo círculo cada vez mais amplo dos seus descendentes.
Mas as semelhanças específicas entre a narrativa de Gênesis e a
maior parte das outras são totalmente sobrepujadas pelas diferenças,
e somente a lenda babilônica mostra algumas semelhanças maiores com
a narrativa de Noé.
A epopeia de Gilgamés,
como é chamada esta lenda, conta a estória de Gilgamés ,decidido a
assegurar-se da imortalidade e com esse objetivo mete-se a uma longa
e aventureira viagem em busca de seu antepassado Utnapishtim, de quem
esperava saber o segredo da imortalidade com que os deuses o
agraciaram. Chegado à ilha onde vive Utnapishtim, interroga-o sobre
o “mistério da vida”. Utnapishtim conta-lhe a sua vida em
Shuruppak e a adoração fiel que tributava ao deus Ea. Quando os
deuses resolveram destruir o mundo por meio de um dilúvio, Ea
preveniu o seu adorador e deu-lhe estas ordens:
“Homem de Shuruppak,
filho de Ubaratu, / destrói a tua casa / e constroi um navio. /
Abandona as riquezas, / procura a vida! / despreza os bens, / salva a
vida! / Mete toda a semente de vida dentro do navio. / O navio / que
deves construir... / seja de medidas (bem) proporcionadas.”
A Bíblia conta-nos de
Noé o que a epopeia de Gilgamés conta de Utnapishitim.
“ Falou, pois, Deus
a Noé: faz uma arca de madeiras resinosas... De cada espécie de
animais, farás entrar na arca dois, macho e fêmea, para que vivam
contigo” (Gn 6.14-19).
Para podermos comparar os
textos mais facilmente, citamos a seguir, em vede, o que
Utnapishtim disse do acontecimento vivido por ele, e em azul, o
que a Bíblia refere do dilúvio e de Noé.
Utnapishtim, de acordo
com as ordens recebidas do deus Ea, constrói o navio e diz :
No quinto dia delineei
a sua estrutura
O comprimento da arca será de trezentos côvados, de cinquenta côvados
a sua largura e de trinta côvados a sua altura.(Gn 6.15)
A sua superfície era
de doze iku. As paredes eram de dez gar de altura.Pus-lhe seis andares; dividi sete vezes a sua largura.
Farás nela (naarca) um andar embaixo, um segundo e um terceiro
andar.(Gn 6.16).
Farás
na arca uns pequenos quartos...(Gn 6.14)
O seu interior dividi-o nove vezes. Deitei no forno seis sar de breu.
O seu interior dividi-o nove vezes. Deitei no forno seis sar de breu.
E
calafetá-la-ás com betume por dentro e por fora (Gn 6.14)
Ao acabar a construção
do navio, Utnapishitim celebra uma festa esplendorosa. Mata bois e
ovelhas para os que o ajudaram e obsequia-os com “mosto,azeite e
vinho com tanta profusão com se fosse água corrente.” Depois,
continua :
Carreguei tudo o que
tinha com toda a variedade de semente da vida. Meti no navio toda a minha família e parentela.
Noé
entrou na arca com seus filhos,
a sua mulher e as mulheres
de seus filhos, para se salvarem
das águas do dilúvio. Também
dos animais puros e impuros,
e das aves, e de tudo o que se
move sobre a terra, entraram na arca com Noé, dois a dois, macho e fêmea, conforme o Senhor tinha mandado a Noé (Gn7.7-9).
Gados do campo,
animais do campo, artistas... a todos os meti.
Entrei no navio e fechei a minha porta. Quando resplandeceu a luz da manhã, das entranhas do céu ergueu-se uma nuvem negra: Adad rugia lá dentro O furor de Adad chega até ao céu; e toda a claridade se transforma em trevas.
E o Senhor aí
o fechou por fora. (Gn7.16)
E passados os sete dias, caíram sobre a terra as águas do dilúvio... romperam-se todas as fontes do grande abismo, abriram-se as cataratas do céu. (Gn 7.10-11).
Os
deuses ficam horrorizados perante a inundação e refugiam-se no mais
alto céu, no céu do deus Anu. Antes de entrarem nele, “anicham-se
como cães” e, aflitos e assustados pela catástrofe, protestam
cabisbaixos e chorosos.
Entretanto o dilúvio
continua:
Seis dias e seis
noites corre o vento, o dilúvio; a tempestade devasta a região.
Veio o dilúvio sobre a terra durante quarenta dias e as águas cresceram e elevaram a arca muito alto por cima da terra. Tanto cresceram as águas que todos os mais elevados montes, que há sob todo o céu ficaram cobertos. (Gn 7.17-19).
Quando chegou o
sétimo dia, a tempestade, o dilúvio, foi vencido na batalha, que como um exército tinha sustentado.
O mar amansou, o furacão calou-se, o dilúvio acabou. E todo o gênero humano se tinha convertido em lodo.
O campo tornara-se semelhante à cobertura de um edifício.
Ora Deus lembrou-se de Noé...e fez passar um vento sobre
a terra e as águas diminuíram.
(Gn 8.1).
Fecharam-se as fontes do abismo
e as cataratas do céu e
foram retidas as chuvas (que
caíram) do céu. As águas, agitadas de uma parte para a outra, retiram-se de cima da terra e começaram a diminuir, depois de cento e cinquenta dias (Gn 8. 2,3)
Toda a carne que se movia sobre a terra pereceu...e todos os homens. (Gn7.21).
Utnapishtim descreve a
Gilgamés, que está impressionado, o que aconteceu quando a
tempestade acabou.
Abri a janela e a
luz deslizou nas minhas faces.
O navio parou no
monte Nisir.
O monte Nisir
reteve o navio e não o deixou vogar mais.
Ao fim de quarenta dias, abriu Noé a janela que tinha feito na arca. (Gn 8.6).
Ao fim de quarenta dias, abriu Noé a janela que tinha feito na arca. (Gn 8.6).
No sétimo mês, no vigésimo sétimo dia do mês, parou a arca sobre os montes de Ararat.(Gn 8.4).
Nenhuma tradição dos
tempos antigos oriunda da mesopotâmia está tanto de harmonia com as
narrações bíblicas como a da inundação que figura na epopeia de
Gilgamés. Há em alguns pontos até coincidências nas palavras. Não
obstante isso, há uma importante e essencial diferença. A história
do Gênesis, com a qual estamos tão familiarizados, reconhece um
só Deus. Desaparece a ideia extravagantemente pitoresca e
primitiva de um céu super-povoado de deuses, muitos dos quais
mostram atitudes demasiado humanas, deuses que choram, se
lamentam,têm medo e se “aninham como cães”.
Por consenso quase que
comum, fica bem claro, que ambas as narrativas tem uma origem comum,
que Gênesis reflete de modo fiel e a lenda babilônica de modo
pervertido.
Apesar da menção
expressa do monte Nisir feita na epopeia de Gilgamés, nunca ocorreu
aos investigadores curiosos a exploração deste lugar em busca dos
restos dos navio. O monte Ararat mencionado na Bíblia foi, em
contrapartida, objeto de verdadeiras expedições em série.
A ARCA
DE NOÉ E A ARQUEOLOGIA:
Durante o século XIX,
muito antes de os arqueólogos cravarem as suas enxadas no solo da
Mesopotâmia, as primeiras expedições tomaram o caminho do monte
Ararat. Uma história pastoril a isto levara.
Há nos pés do monte
Ararat uma pequena aldeia da Armênia, de nome Bayzit, cujos
habitantes falam desde tempos muito remotos dos notáveis relatos de
um pastor que certo dia parece ter visto um navio de madeira sobre o
Ararat.
O relato de uma expedição
turca do ano de 1833 parecia confirmar a história do pastor.
Falava-se nela da proa de madeira de uma embarcação que, no verão,
se deixava ver nas nevadas do sul do monte.
Um outro que parece tê-la
visto é o Dr. Nouri, arcediago de Jerusalém, e da Babilônia. Este
eclesiástico empreendeu em 1892 uma viagem de exploração às
nascentes do Eufrates. No regresso, anunciou ter visto os restos de
um navio no meio das neves perpétuas: “ O seu
interior-escreve-estava cheio de neve. A parte exterior era de uma
cor vermelho-escura”.
Durante a Primeira Guerra
mundial, um oficial de aviação russo, chamado Roskowizki, anunciou
que tinha visto do seu avião nas faldas do lado sul do Ararat “os
restos de um navio estranho”. Em plena guerra o czar Nicolau II
enviou logo um grupo expedicionário. Esta expedição não só viu o
navio, como o fotografou. Mas todas as provas e documentos devem ter
desaparecido durante a revolução de Outubro.
Existem também diversas
fotografias panorâmicas de avião tiradas na última guerra.
Devem-se a um piloto soviético e a quatro aviadores americanos.
Em 1951, o Dr. Smith,
acompanhado de quarenta homens, explora, durante doze dias, as
camadas de gelo do Ararat. “Apesar de não encontrarmos nenhum
vestígio da arca de Noé-declarou mais tarde-a minha fé na
descrição bíblica do dilúvio reforçou-se. Voltaremos”.
Estimulado pelo Dr.
Smith, o jovem explorador francês da Groenlândia, João de Riquer,
efetuou em 1952 uma ascensão a este monte de origem vulcânica.
Desceu também ele sem nada ter conseguido. Não obstante, outras
expedições se organizam ainda ao monte Ararat.
Uma pergunta fica no ar:
Por que não se organiza uma grande expedição para encontrar a
arca? Primeiro: porque durante quase todo o ano o Ararat é coberto
de neve. Segundo: os terroristas curdos atrapalham e atacam
expedicionários que se aventuram a subir o monte; aquela é uma
região muito conturbada. Nos anos 90, mais de 6 mil pessoas morreram
no monte e só existe permissão para subir no lado oposto de onde
está a arca.
Um geólogo Adventista
uma certa vez declarou: ”Talvez a maior descoberta arqueológica de
todos os tempos – a arca de Noé – esteja sendo preservada
providencialmente para, no momento certo, ser revelada ao mundo como
um monumento,
prestando silenciosamente
sua homenagem ao Criador e Mantenedor da vida, o mesmo Deus que
amorosamente deseja implantar em nosso ser a Sua própria imagem,
para que possamos habitar eternamente em Sua companhia, no Céu e na
nova Terra finalmente restaurados.”
CONCLUSÃO:
O relato bíblico da
história de Noé, nos serve de exemplo e nos mostra que só achamos
“graça aos olhos do Senhor” quando levamos uma vida de total
obediência Aquele que é o Criador de todas as coisas, o segredo do
sucesso de Noé está registrado em Gn 7.22 que diz: “Assim fez
Noé; conforme a tudo o que Deus lhe mandou, assim o fez.”
BIBLIOGRAFIA:
Bíblia Sagrada – João
Ferreira de Almeida, edição revista e corrigida,Imprensa Bíblica
Brasileira, Rio de Janeiro, 1993.
Keller, Werner – A
Bíblia tinha razão, Edição “Livros do Brasil” Lisboa.
Kidner, Derek – Gênesis
introdução e comentário, Edições Vida Nova ,São Paulo,2004.
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Certa vez li na Veja em uma matéria bem pequena um artigo sobre algumas fotos de satélite do que parecia ser restos da Arca. Há relatos de pessoas que na época do Império romano teriam avistado restos da embarcação. Mas seja lá qual for a verdade por trás de tudo, a nossa fé sempre estará baseado naquilo que Deus falou em sua Palavra, e isso para nós é o suficiente e indiscutível. Grande abraço meu irmão.
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