quinta-feira, 15 de março de 2012

O PERIGO DAS RIQUEZAS





Um sermão de John Wesley

"Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína". I Timóteo 6:9


1. Quão inumeráveis são as conseqüências danosas que têm se seguido dos homens não conhecem, ou não consideram esta grande verdade! E quão poucos existem, até mesmo no mundo cristão, que nem sabem ou devidamente consideram isto! Sim, quão pequeno é o número daqueles, mesmo em meio aos cristãos verdadeiros, que entende e coloca isto no coração! A maioria desses também passa por isto muito levemente, dificilmente lembrando-se que existe tal texto na Bíblia. E muitos colocam tal construção sobre ele, como a torná-lo sem importância. "Eles que serão ricos", dizem eles, "ou seja, serão ricos, em todos os eventos; que serão ricos no certo e no errado; que estão resolvidos a levar o objetivo deles, para atingir esta finalidade, quaisquer que sejam os meios usados para obter isto; eles 'caem em tentação'", e em todos os males enumerados pelo Apóstolo. Mas verdadeiramente, se este foi todo o significado do texto, poderia muito bem ser tirado da Bíblia.

2. Este está tão longe de ser todo o significado do texto, que não é parte de seu significado. O Apóstolo não fala aqui de ganhar riquezas injustamente, mas de outra coisa completamente diferente: Suas palavras são tomadas em seu sentido obviamente claro, sem qualquer restrição ou qualificação que seja. Paulo não diz: "Eles que serão ricos, através de meios pecaminosos, por furto, roubo, opressão, ou extorsão; eles que serão ricos, através de fraude ou artimanha desonesta; mas simplesmente, 'eles que serão ricos". Esses, admitindo-se em suposição, que os meios que eles usem sejam sempre tão inocentes, "caiam na tentação e armadilha, e em muitos desejos todos e prejudiciais, que arrastaram homens para a destruição e perdição".   

3. Mas quem acredita nisto? Quem recebe isto como a verdade de Deus? Quem está profundamente convencido dela? Quem prega isto? Grande é o grupo de pregadores hoje, regulares e irregulares; mas quais deles todos, abertamente e explicitamente, pregam esta estranha doutrina? A observação sutil de um grande homem é que: "O púlpito é uma terrível fortaleza para o pregador". Mas, quem, até mesmo, em sua fortaleza, tem a coragem de declarar uma verdade tão fora de moda? Eu não me lembro de que, em sessenta anos, ouvi um sermão pregado sobre este assunto. E qual autor, dentro do mesmo termo, tem declarado isto para a imprensa? Pelo menos, na língua Inglesa? Eu não conheço um. Nem tenho visto ou ouvido de algum tal autor. Eu vi dois ou três que exatamente passam por ele. Mas nenhum que trata disto declaradamente. Eu mesmo freqüentemente mencionei sobre isto na pregação, e duas vezes, quando publiquei para o mundo: Uma vez, ao explicar o Sermão do Monte de nosso Senhor, e uma vez, no discurso sobre "O Espírito de Avareza da Iniqüidade"; mas eu ainda não publiquei ou preguei algum sermão expressamente sobre o assunto. É o momento excelente para que eu possa; -- que eu possa, por fim, falar tão fortemente e explicitamente quanto eu possa, com o objetivo de deixar um testemunho completo e claro, atrás de mim, quando quer que agrade a Deus me chamar para isto.

4. Ó, que Deus me permita falar as palavras corretas e poderosas, e vocês a recebam com os corações honestos e humildes! Que não seja dito: "Eles se sentaram diante de ti, como meu povo, e eles ouviram tuas palavras, mas eles não irão praticá-las. Tu és para eles, como alguém que tem uma voz agradável, e pode tocar bem um instrumento; porque eles ouviram tuas palavras, mas eles não a praticaram!".  Ó, que vocês "não sejam ouvintes esquecidos, mas cumpridores da palavra"; que vocês possam ser "abençoados em seus feitos!". Nesta esperança eu devo me esforçar para:

I. Explicar as palavras do Apóstolo;

II. E aplicá-las.

Mas, Ó! "Quem é competente para essas coisas?". Quem é capaz de parar a corrente geral? Para combater todos os preconceitos, não apenas do vulgar, mas do mundo erudito e religioso? Ainda assim, nada é tão difícil para Deus! Ainda sua graça é suficiente para nós. Em seu nome, então, e pelas suas forças, eu irei me esforçar.

I

Para explicar as palavras do Apóstolo.

1. E, Em Primeiro Lugar, vamos considerar o que é ser rico. O que o Apóstolo quer dizer por esta expressar?

Os versos precedentes fixam o significado de que: "Tendo alimento e vestimenta" (literalmente coberturas; porque a palavra inclui moradia, assim como roupas), "estaremos com isto satisfeitos".  Plenamente se segue, o que quer que seja mais do que isto é, no sentido do Apóstolo, riquezas; o que quer que esteja acima das evidentes coisas necessárias, ou, quando muito, conveniências, da vida. Quem quer que tenha suficiente alimento para comer, e vestimenta para colocar, com um lugar onde deitar sua cabeça, e tenha alguma coisa mais, é rico.

2. Em Segundo Lugar, o que está inserido naquela expressão: "Eles que serão ricos?". E não implica, primeiro, aqueles que desejam ser ricos; terem mais do que alimento e coberturas; aqueles que seriamente e deliberadamente desejam mais do que alimento para comer, e vestimenta para colocar, e um lugar para deitar a cabeça, mais do que as coisas necessárias e conveniências claras da vida? Todos, pelo menos, que se admitem neste desejo, que vêem nenhum dano nele, desejam ser ricos.

3. E assim fazem, Em Segundo Lugar, todos aqueles que, calmamente e deliberadamente, se esforçam em busca de mais do que alimento e coberturas; que almejam, e se esforçam em busca, não apenas de tanto mais bens mundanos, como irão procurar para si as coisas necessárias e conveniências da vida, mas, mais do que isto, para guardar ou gastar em superficialidade. Todos esses, inegavelmente, provam seu "desejo de serem ricos", através de seus esforços  em busca disto.  

4. Nós não devemos, Em Terceiro Lugar, nos classificar em meio àqueles que desejam ser ricos, todos que, de fato, "acumulam tesouros na terra?"; uma coisa tão expressamente e claramente proibida por nosso Senhor, tanto quanto adultério ou assassinato. Admite-se: (1) Que devemos providenciar as coisas necessárias e conveniências para aqueles de nossa própria casa: (2) Que os homens, de negócios, devem economizar tanto quanto seja necessário para conduzirem aquele trabalho: (3) Que devemos deixar para nossas crianças o que irá supri-las com as coisas necessárias e conveniências, depois que deixarmos o mundo: e (4) Que devemos providenciar coisas honestas à vista de todos os homens, de modo a não "dever coisa alguma a homem algum". Mas juntar algo mais, quando isto é feito, é o que nosso Senhor tem claramente proibido. Quando é calmamente e deliberadamente feito, é uma prova clara de nosso desejo de sermos ricos. E assim, juntar dinheiro é não mais consistente com uma boa consciência, do que atirá-lo ao mar.

5. Nós devemos classificar em meio a eles, Em Quarto Lugar, todos que possuem mais desses bens mundanos do que eles usam, de acordo com a vontade do Dono: Eu antes deveria dizer, do Proprietário; porque Ele apenas nos empresta a nós como Mordomos; reservando a propriedade deles a si mesmo. E, de fato, ele não pode possivelmente fazer o contrário, vendo-se que eles são a obra de suas mãos; ele é, e deverá ser o possuidor do céu e terra. Isto é seu direito inalienável; um direito do qual ele não pode privar-se. E, junto com aquela porção de seus bens, que Ele tem depositado em nossas mãos, Ele nos entregou um escrito, especificando os propósitos para o qual Ele os confiou a nós. Se, portanto, mantivermos mais deles, em nossas mãos, do que seja necessário, para os propósitos precedentes, nós, certamente, cairemos, sob a responsabilidade de "desejarmos ser ricos".  Além disto, nós somos culpados de enterrar o talento de nosso Senhor na terra; e quanto a isto, estamos inclinados a sermos pronunciados pecaminosos, porque servos inúteis.

6. Sob esta imputação de "desejar ser rico", incidem, Em Quinto Lugar, todos os "amantes do dinheiro". A palavra propriamente significa, aqueles que se deleitam no dinheiro; aqueles que têm prazer nele; aqueles que buscam sua felicidade nele; que se preocupam com respeito ao seu ouro e prata; contas ou bônus. Tal era o homem descrito pelo fino pintor romano, que irrompeu naquele natural solilóquio: -

    . . . Populus me sibilat, at mihi plaudo Ipse domi simul ac nummos contemplor in arca.

[O seguinte é tradução de Francis, daquelas linhas deHorácio: "O povo me apupa, enquanto, em minha opinião, completamente abençoado, eu conto meu dinheiro, e desfruto de meu tesouro". – Edit].

            Se existiram alguns maus hábitos que não são naturais ao homem, eu devo imaginar este: como o próprio dinheiro não parece gratificar algum desejo ou apetite natural da mente humana; e como, durante uma observação de sessenta anos, eu não me lembro de uma ocasião de um homem desistindo do amor ao dinheiro, até que ele tenha negligenciado empregar este precioso talento, de acordo com a vontade de seu Mestre. Depois disto, o pecado foi punido pelo pecado: e foi permitido a este espírito mau estar com ele.

7. Mas, além desta espécie grosseira de cobiça, o amor ao dinheiro, existe uma espécie mais refinada de cobiça, mencionada pelo grande Apóstolo, pleonexia – que literalmente significa o desejo de ter mais, e mais do que nós já temos. E estes também vêm sob a denominação de "eles que serão ricos".  É verdade que este desejo, sob restrições apropriadas, é inocente; mas ainda, recomendável. Mas quando excede os limites (e quão difícil é não excedê-los!), então, vem para a desaprovação presente.

8. Mas quem é capaz de receber esses dizeres difíceis? Quem pode acreditar que eles são as grandes verdades de Deus? Não muitos sábios, não muitos nobres. Não muitos famosos pela erudição; ninguém, de fato, que não são ensinados por Deus. E quem são aqueles a quem Deus ensina? Que nosso Senhor responda: "Se algum homem estiver disposto a fazer a vontade Dele, ele deverá saber da doutrina, se ela é de Deus". Aqueles que estão, do contrário inclinados, estarão tão longe de recebê-la que eles não serão capazes de entendê-la. Dois homens, tão conscientes quanto a maioria na Inglaterra, sentaram-se juntos, algum tempo, desde então, para lerem e considerarem a respeito daquele discurso claro sobre: "Não juntem para si mesmos, tesouros na terra". Depois de muita consideração profunda, um deles irrompeu: "Positivamente, eu não posso entender isto. Eu suplico, você entendeu isto, sr. L--?". O Sr. L—honestamente replicou: "Na verdade, não. Eu não posso compreender o que o sr. W— quer dizer. Eu não posso fazer idéia, afinal, disto". Assim, extremamente cegos em nosso entendimento natural, no tocante à verdade de Deus!

9. Tendo explicado a primeira parte do texto: "Eles que serão ricos", e indicado, da maneira mais clara que eu pude, as pessoas de que se fala; eu me esforçarei agora, Deus sendo meu Auxiliador, para explicar o que é falado deles: "Eles caem na tentação e armadilha, e em muitas tolices e desejosos prejudicais, que arrastaram homens para a destruição e perdição".

            Em primeiro lugar, "Eles caem em tentação". Isto parece significar muito mais do que simplesmente: "eles são tentados". Eles entram em tentação. Eles caem em cheio dentro dela. Os acenos dela os rodeiam, e os cobrem completamente. Desses que entram assim na tentação, bem poucos escapam dela. E os poucos que o fazem são altamente criticados duramente por isto, embora não extremamente consumidos. Se eles escapam, afinal, é escapando por um triz, e com profundas chagas que não são facilmente curadas.

10. Eles caem, em segundo lugar, "na armadilha"; a armadilha do diabo, que ele propositadamente coloca no caminho deles. Eu acredito que a palavra grega propriamente signifique um laço, uma armadilha de aço, que não mostra aparência de perigo. Mas, tão logo alguma criatura toca no dispositivo da mola, ela de repente se fecha, e tanto tritura seus ossos em pedaços, quanto os envia para a ruína inevitável.

11. Eles caem, em terceiro lugar, "em muitos desejos tolos e prejudiciais";  anoEtous, -- tolos, inconscientes, fantásticos; como contrários a razão, ao entendimento profundo, quanto eles são da religião; Prejudicial, tanto para o corpo, quanto para a alma, tendendo a enfraquecer, sim, destruir todo temperamento gracioso e divino: Destrutivo daquela fé que é a operação de Deus; daquela esperança que é cheia da imortalidade; do amor a Deus e ao nosso próximo, e de toda boa palavra e obra.

12. Mas que desejosos são esses? Esta á a mais importante questão, e merece a mais profunda consideração.

Em geral, eles podem todos ser resumidos em um, o desejo da felicidade fora de Deus. Isto inclui, diretamente, ou remotamente, todo desejo tolo e prejudicial. Paulo expressa isto, através do "amar a criatura mais do que o Criador", e por serem "amantes do prazer, mais do que amantes de Deus".  Em especial, eles são (para usar o registro de João) "o desejo da carne, o desejo dos olhos, e o orgulho da vida"; tudo o que o desejo das riquezas naturalmente inclina, tanto no produzir, quanto no aumentar.

13. "O desejo da carne" é geralmente entendido, em um significado muito estreito.  Ele não se refere, como é comumente suposto, a um dos sentidos apenas, mas toma em todos os prazeres do sentido, a gratificação de alguns dos sentidos exteriores. Ele tem referência ao gosto em específico. Quantos milhares, nós encontramos hoje em dia, em quem os princípios governantes é o desejo para aumentar o prazer do paladar! Talvez, eles não gratifiquem este desejo de uma maneira grosseira, de maneira a incorrer na inculpação da intemperança; muito menos, de forma a transgredir a saúde, ou enfraquecer o entendimento deles, através da glutonaria ou bebedeira. Mas eles vivem em uma sensualidade gentil, regular; em um epicurismo elegante, que não fere o corpo, mas apenas destrói a alma, mantendo-a a uma distância de toda religião verdadeira.

14. A experiência mostra que a imaginação é gratificada principalmente pelos olhos: Portanto, "o desejo dos olhos", em seu sentido natural, é o desejo e busca da felicidade na gratificação da imaginação.  Agora, a imaginação é gratificada tanto pela grandeza, pela beleza, pela novidade: Principalmente por esta última; porque nem os objetos grandes, nem bonitos agradam mais tempo do que enquanto são novos.

15. Buscando felicidade na aprendizagem, de qualquer tipo, está contido no "desejo dos olhos", quer seja na história, linguagens, poesia, ou algum ramo da filosofia natural ou experimental: Sim, nós devemos incluir os diversos tipo de aprendizagem, tal como Geometria, Álgebra, e Metafísicas. Porque, se nosso supremo deleite for, em algum desses, nós estaremos gratificando "o desejo dos olhos".

16. "O orgulho da vida" (o que mais aquela mesma expressão incomum hE alazoneia tou biou pode significar) parece implicar principalmente o desejo de honra, de estima, admiração, e aplauso de homens; como nada mais diretamente tende, ambos para produzir e nutrir orgulho do que a honra que vem dos homens. E como os ricos atraem muita admiração, e ocasionam muito aplauso, eles proporcionalmente servem alimento por orgulho, e assim podem também ser referidos neste assunto.

17. Desejo de comodidade é outro desses desejos tolos e danosos; desejo de evitar toda cruz, todo grau de preocupação, perigo, dificuldade; um desejo de estar inativo na vida, e ir para o céu (como o vulgar diz) em um colchão de penas. Todos podem observar como os ricos primeiro produzem, e então, confirmam e aumentam este desejo, tornando os homens mais e mais suaves e delicados; mais relutantes, e, na verdade, mais incapazes, de "tomar sua cruz diária"; de "tomar o reino do céu pela veemência".

18. Riquezas, se desejadas ou possuídas, naturalmente conduzem a um ou outro desses desejos tolos e danosos; e propiciando os meios de gratificá-los todos, naturalmente tendem a aumentá-los. E existe uma ligação próxima entre os desejos ímpios, e toda paixão e temperamento impuros. Nós facilmente passamos desses, para o orgulho, ira, amargura, inveja, malicia, espírito vingativo; para um espírito obstinado, inconveniente, e irrepreensível: Na verdade, para todo temperamento que mundano, sensual, ou demoníaco. Todos esses, o desejo ou possessão de riquezas, naturalmente tendem a criar, fortalecer e aumentar.

19. E, assim fazendo, na mesma proporção que eles preponderam, "perfuram os homens com muitas tristezas"; tristezas do remorso, da culpa da consciência, tristezas fluindo de todos os temperamentos diabólicos que eles inspiram ou aumentam; tristezas inseparáveis desses próprios desejos, já que todo desejo impuro é um desejo desconfortável; e a tristeza da contrariedade daqueles desejos, uns com os outros, de onde é impossível gratificá-los todos. E, no final, "eles arrastam" o corpo na dor, enfermidade, "destruição", e a alma na "perdição" eterna.

II

1. Em Segundo Lugar, eu vou aplicar o que tem sido dito. E este é o ponto principal. Por que, qual o proveito do mais claro conhecimento, até mesmo das coisas mais excelentes, até mesmo das coisas de Deus, se não for além do que a especulação, se não for reduzido á prática? Ele que tem ouvidos para ouvir, que ouça! E o que ele ouvir, que ele instantaneamente coloque em prática. Ó, que Deus possa me dar a coisa que há tanto eu almejo! Que, antes que eu me vá daqui, e não seja mais visto, eu possa ver um povo totalmente devotado a Deus, crucificado para o mundo, e o mundo crucificado para eles; um povo verdadeiramente entregue ao Senhor, em corpo, alma, e essência! Quão alegremente eu, então, digo: "Agora que teu servo parta em paz!".

2. Eu pergunto, então, em nome de Deus: Quem de vocês "deseja ser rico?". Qual de vocês (perguntem aos seus próprios corações, às vistas de Deus), seriamente e deliberadamente desejam (e, talvez aplaudam a vocês mesmos, por assim fazerem, como nenhuma instância menor de sua prudência) ter mais do que alimento para comer, e vestimenta para colocar, e uma casa para abrigá-los? Quem de vocês deseja ter mais do que as coisas necessárias e conveniências claras da vida? Parem! Considerem! O que vocês estão fazendo? O diabo está diante de vocês! Vocês se apressarão em direção à ponta de uma espada? Pela graça de Deus, retornem e vivam!

3. Através mesma autoridade eu pergunto: Quem de vocês está se esforçando para se tornar rico? Para buscar para si mesmos, mais do que as coisas necessárias e conveniências claras da vida? Coloquem, cada um de vocês, a mão em seus corações, e seriamente perguntem: "Eu faço parte deste número? Eu estou me esforçando, não apenas pelo que eu necessito, mas para mais do que preciso?". Possa o Espírito de Deus dizer a todos a quem isto concerne: "Tu és o homem!".

4. Eu pergunto, Em Terceiro Lugar: Quem de vocês, na verdade, estão "juntando tesouros para si mesmos na terra?", aumentando nos bens? Acrescentando, tão logo quanto podem, casa sobre casa, campo sobre campo! Por quanto tempo, tu, assim, "fazes bem junto a ti mesmo, os homens falarão bem de ti". Eles o chamarão de homem sábio e prudente! Um homem que presta atenção à mudança principal. Tal é, e sempre tem sido, a sabedoria do mundo. Mas Deus diz junto a ti: "Tu, tolo! Tu não estás 'juntando para ti mesmo, ira contra o dia da ira, e revelação do julgamento reto de Deus?'".

5. Talvez, você irá perguntar: "Mas você mesmo não aconselha a ganhar e poupar tudo que pudermos? E é possível fazer isto, sem ambos desejar e se esforçar para ser rico? Mais ainda, suponha que nossos esforços sejam bem sucedidos, sem verdadeiramente juntar tesouros na terra?". Eu respondo: É possível. Você pode ganhar tudo que você puder, sem ferir tanto a sua alma ou corpo; você pode poupar tudo que puder, cuidadosamente evitando todos os gastos desnecessários; e ainda assim, nunca juntar tesouros na terra, nem desejar ou se esforçar para assim fazerem.

6. Permitam-me falar, tão livremente de mim mesmo, quanto eu faria de algum outro homem. Eu ganho tudo que eu posso (principalmente pelos escritos), sem ferir quer minha alma ou corpo. Eu economizo tudo que eu posso, não estando disposto a gastar coisa alguma, nem uma folha de papel; nem um cálice de água. E não acumulo coisa alguma, nem um xelim, a menos como um sacrifício a Deus. Ainda assim, dando tudo que eu posso, eu efetivamente me prevenindo de "juntar tesouros sobre a terra".  Sim. Eu estou seguro, quer de desejar ou me esforçar para isto, por quanto tempo eu der tudo que eu puder. E eu chamo todos os que me conhecem, tanto amigos quanto inimigos, para testificarem que eu faço isto.

7. Mas alguns podem dizer: "Quer você se esforça para isto ou não, você inegavelmente é rico. Você tem mais do que as coisas necessárias da vida".  Eu tenho. Mas o Apóstolo não fixa a responsabilidade, meramente no possuir alguma quantidade de bens, mas no possuir mais do que empregamos de acordo com a vontade do Dono.

Quarenta anos atrás, tendo um desejo de suprir as pessoas pobres com livros mais baratos, mais curtos, e mais simples do que algum que eu tenho visto, eu escrevi muitos pequenos tratados, geralmente por um pêni cada; e, mais tarde, diversos maiores.  Alguns desses têm tal venda, como eu nunca pensei; e, através deste meio, eu, sem intenção, tornei-me rico. Mas eu nunca desejei ou me esforcei em busca disto. E agora que isto veio sobre mim, inesperadamente, eu não junto tesouros sobre a terra: Eu não junto coisa alguma, afinal. Meu desejo e esforço, neste aspecto são "conquistar meu lugar mais baixo, durante o ano" .  Eu não posso deixar meus livros atrás de mim, quando quer que Deus me chame daqui; mas em outros aspectos, minhas próprias mãos serão meus testamenteiros.

8. Neste lugar, meus irmãos, que vocês que são ricos sejam, até mesmo, como eu sou. Vocês que possuem mais do que alimento e vestimenta perguntem: "O que devemos fazer? Devemos atirá-lo ao mar o que Deus nos tem dado?".  Deus proíbe que vocês possam! Trata-se de um excelente talento: Ele pode ser muito empregado para a glória de Deus. Seu caminho se estende claro, diante de sua face; se você tem coragem, caminhe nele. Tendo ganhado e economizado, em um sentido correto, tudo que puderem; a despeito da natureza, costume, e prudência mundana, dêem tudo que vocês puderem. Eu não digo: "Sejam um bom judeu, dando a décima parte de tudo que possuem".  Eu não digo: "Sejam um bom Fariseu, dando um quinto de todos os seus bens". Eu não me atrevo a aconselhá-los a darem metade do que vocês têm; não, nem três quartos; mas tudo! Elevem seus corações, e vocês verão claramente, em que sentido isto deve ser feito. Se vocês desejam ser "mordomos fiéis e sábios", daquela porção dos bens do seu Senhor, que Ele tem, no momento, depositado em suas mãos, a não ser com a correta retomada; quando quer que agrade a ele: (1) Providencie as coisas necessárias para vocês mesmos; alimento para comer, vestimenta para colocar; o que quer que a natureza moderadamente requeira, para preservar vocês na saúde e força. (2) Providenciem esses para a sua esposa, seus filhos, seus servos, ou alguns outros que pertençam à sua casa. Se, quando isto for feito, existir algum excedente, então faça o bem "aqueles que são da família da fé".  Se ainda existir um excedente, "quando tiverem oportunidade, façam o bem a todos os homens". Em assim fazendo, vocês dão a todos o que vocês podem; mais do que isto, em um sentido profundo, tudo o que vocês têm. Porque tudo que é colocado desta maneira, é realmente dado a Deus. Vocês retribuem a Deus as coisas que são de Deus; não apenas através do que vocês dão aos pobres, mas também, através do que você gasta, no providenciar as coisas necessárias para si mesmo e sua casa.

9. Ó, vocês Metodistas, ouçam a palavra do Senhor! Eu tenho uma mensagem de Deus a todos os homens; mas a vocês, acima de todos. Porque por mais de quarenta anos, eu tenho sido um servo de vocês e de seus pais. E não tenho sido como um junco balançando ao vento: Eu não tenho mudado em meu testemunho. Eu testifiquei a vocês a mesma coisa, desde o primeiro dia, até agora. Mas "quem acreditou em nosso relato?". Eu temo, não muitos ricos: Eu temo que exista necessidade de aplicar para alguns de vocês, aquelas palavras terríveis do Apóstolo: "Vá agora, vocês homens ricos! Choraminguem e lamentem as misérias que devem vir sobre vocês. Seu ouro e prata estão destruídos, e a ferrugem deles é testemunha contra vocês e deverão comer sua carne, como se fosse fogo". Certamente irão, a  menos que vocês poupem tudo que puderem, e dêem tudo que puderem. Mas quem de vocês considerou isto, desde que vocês ouviram a vontade do Senhor com respeito a isto? Quem está agora determinado a considerar e praticá-la? Pela graça de Deus, comecem hoje!

10. Ó, vocês, amantes do dinheiro, ouçam a palavra do Senhor! Suponham vocês que o dinheiro, embora multiplicado, como a areia do mar, pode dar felicidade? Então, vocês "desistiram de uma ilusão forte, para acreditarem em uma mentira" – uma mentira palpável, refutada diariamente por milhares de experimentos. Abram seus olhos! Olhem em volta de vocês! Vocês são os homens mais ricos e felizes? Aqueles que têm a maior porção de contentamento, têm as maiores posses? Não é o próprio inverso verdadeiro? Não é uma observação comum que os homens mais ricos são, em geral, os mais descontentes, os mais miseráveis? Não teve maior parte deles mais contente, quando tinha menos dinheiro? Olhem dentro de seus peitos. Se vocês aumentaram em bens, vocês proporcionalmente aumentaram em felicidade? Vocês têm mais bens materiais; mas têm mais contentamento? Vocês sabem que em buscar felicidade dos ricos, vocês estão apenas esforçando-se para beber em taças vazias. E mesmo que elas sejam pintadas e disfarçadas, sempre tão finamente, elas ainda estarão vazias.

11. Ó, vocês que desejam e se esforçam para serem ricos, ouçam a palavra do Senhor! Por que  vocês poderiam se ferir mais? Mesmo a experiência não iria ensinar-lhes sabedoria? Vocês pulariam dentro de um poço com seus olhos abertos? Por que vocês "cairiam em tentação?".  A tentação não deixará de atacar vocês de todos os lados, por que então entrar nela? Não existe necessidade para isto: este é seu ato e obra voluntários. Por que vocês mergulhariam em uma cilada; na armadilha que satanás colocou para vocês, que está pronta para quebrar seus ossos em pedaços? Esmagar sua alma até a morte? Depois de aviso justo, por que vocês mergulhariam mais em "desejos tolos e prejudiciais?". Desejos tão inconsistentes com a razão, como eles são com a própria religião; desejos que têm feito vocês mais feridos do que todos os tesouros da terra podem compensar.

12. Eles já não feriram vocês; eles não ofenderam vocês nas partes mais ternas, diminuindo, se não, destruindo extremamente, sua "fome e sede, em busca de retidão?". Vocês têm agora o mesmo desejo que vocês tiveram uma vez, por toda a imagem de Deus? Vocês não têm o mesmo desejo veemente que vocês anteriormente tiveram de "seguir junto à perfeição". Eles não feriram você, enfraquecendo a sua fé? Vocês não têm agora "a consciência da fé habitando em vocês, e compreendendo as coisas vindouras?". Vocês resistem em todas as tentações, ao prazer ou dor, "vendo a Ele que é invisível?". Vocês têm todos os dias, todas as horas, uma consciência ininterrupta da presença Dele? Vocês não se afligem com respeito à sua esperança? Vocês não têm agora uma esperança cheia de imortalidade? Vocês são ainda grandes com expectativa sincera de todas as grandes e preciosas promessas? Vocês agora "testam os poderes do mundo a vir?". Você "sentam-se nos lugares celestes com Jesus Cristo?".

13. Eles não feriram vocês de maneira a golpearem sua religião em seu coração? Eles não esfriaram (se não extinguiram) seu amor a Deus? Isto é facilmente determinado. Você tem o mesmo deleite em Deus que você uma vez teve? Você pode agora dizer: Eu nada quero abaixo do céu; Feliz, feliz em teu amor!

Eu temo que não. E se seu amor a Deus não está, de forma alguma, diminuído, então, também não está seu amor ao seu próximo. Vocês estão, então, prejudicados na mesma vida e espírito de sua religião. Se você perde o amor, você perde tudo.

14. Vocês não estão feridos com respeito à humildade? Se vocês aumentaram seus bens, isto não pode bem ser de outra forma. Muitos pensarão que vocês estão melhores, porque vocês estão mais ricos. E como vocês podem ajudar pensando assim de si mesmos? Especialmente considerando as recomendações que alguns darão a vocês na simplicidade, e muitos com o objetivo de servirem-se de vocês.

            Se vocês estão feridos em sua mansidão, aparecerá através destes indícios: Vocês são tão fáceis de serem ensinados, quanto vocês eram; não tão aconselháveis; não tão fáceis de serem convencidos, não tão fáceis de serem persuadidos; vocês têm uma opinião melhor de seu próprio julgamento e estão mais atados à sua própria vontade. Antigamente, alguém guiaria vocês com um a linha; agora alguém não pode virar vocês com uma carreta de cordas. Vocês ficavam felizes de serem admoestados ou reprovados; mas aquele tempo é passado. E vocês agora consideram um homem seu inimigo, porque ele diz a você a verdade. Ó que cada um de vocês calmamente considerem isto, e veja, se não é o seu próprio retrato!

15. Vocês não estão igualmente feridos com respeito à sua submissão? Vocês, uma vez, não aprenderam uma excelente lição dele que foi humilde, assim como manso no coração. Quando vocês foram ultrajados, vocês não ultrajaram novamente. Vocês não retornaram insultos por insultos, mas, ao contrário, bênção. Este é o caso de vocês agora? Eu temo que não. Eu temo que vocês não possam "suportar todas as coisas". Ai de mim, antes, vocês não podem suportar coisa alguma; nem injúria; nem mesmo afronta! Quão rapidamente, vocês bazofiaram! Quão prontamente isto ocorreu: "O que! Usar-me assim! Que insolência é esta! Como você se atreve a fazer isto! Eu não sou agora o que eu fui uma vez. Que ele saiba, que eu agora sou capaz de defender-me". Você quer dizer, vingar-se. E isto é muito, se você não está disposto, assim como é capaz; se você não quer pegar seu servo companheiro pelo pescoço.

16. E vocês não estão feridos em sua paciência também? O seu amor agora "suporta todas as coisas?". Vocês "possuem suas almas na paciência", ainda; como quando vocês creram pela primeira vez? Ó, que mudança existe aqui! Vocês aprenderam novamente a ficar mal-humorados. Vocês são freqüentemente rabugentos; vocês sentem; mais ainda, dão oportunidade para a impertinência. Vocês se certificam de abundância de coisas que são assim cruzes que vocês não podem dizer como suportar.

            Muitos anos atrás, eu estava sentado com um cavalheiro em Londres, que temia a Deus, grandemente, e geralmente doava, ano após ano, nove décimos de seu salário anual. Um servo entrou e atirou alguns carvões no fogo. Uma baforada de fumaça saiu. O baronete jogou-se em sua cadeira e gritou: "Ó, Sr. Wesley, estes são as cruzes que eu me encontro diariamente!". Ele não teria sido menos impaciente, se ele tivesse tido cinqüenta, ao invés de cinco mil libras por ano?

17. Mas para retornar. Vocês que têm sido bem sucedidos em seus esforços, de aumentarem em conteúdo, não estão inconscientemente afundando na fraqueza da mente, se não do corpo também? Vocês não mais se regozijam de "suportar miséria, como bons soldados de Jesus Cristo".  Vocês não mais "apressam-se para o reino dos céus, e o tomam, como através da tempestade". Vocês não alegremente e prazerosamente "negam a si mesmos, tomam sua cruz diária".  Vocês não podem negar-se ao pobre prazer de um sono curto, ou de uma cama macia, com o objetivo de ouvirem a palavra que é capaz de salvar suas almas! De fato, vocês "não podem sair tão cedo na manhã: além de ser escuro, mais do que isto, frio, talvez, chovendo também. Frio, escuridão, chuva, todos esses juntos – Eu nunca penso nisto". Vocês não falavam assim, quando vocês eram pobres. Vocês, então, se preocupavam com nenhuma dessas coisas. É a mudança de circunstâncias que tem ocasionado esta transformação melancólica em seu corpo e mente; vocês são uma sombra do que foram! O que as riquezas fizeram com vocês?
  
"Mas não se pode esperar que eu possa fazer, como eu tenho feito. Porque eu estou agora ficando velho". Eu não estou ficando velho, assim como vocês? Eu não estou em meus setenta e oito anos? Ainda assim, pela graça de Deus, eu não descuido de minha marcha ainda. Nem vocês deveriam, se vocês fossem ainda homens pobres.

18. Vocês estão tão profundamente machucados, de maneira a quase perderam o zelo pelas obras de misericórdia, assim como de devoção. Vocês, uma vez, apressaram-se no frio, ou chuva, ou qualquer cruz que se colocasse no caminho de vocês, para verem o pobre, o doente, o aflito. Vocês seguiram em frente fazendo o bem, e encontrando aqueles que não eram capazes de encontrarem vocês. Vocês alegremente rastejaram nos celeiros deles, e subiram em seus sótãos, para suprirem todas as necessidades deles. E gastarem e serem gastos no assistir aos seus santos. Vocês encontraram todo panorama da miséria humana, e assistiram a eles, de acordo com seu poder: Cada forma de aflição, a piedade generosa de vocês moveu; a face de seu Salvador vocês viram, e vendo, amaram.

Vocês agora não trilharam os mesmos passos? Quais obstáculos? Vocês temem danificar seu casaco de seda? Ou existe um outro leão no caminho? Vocês estão temerosos de pegarem vermes? E vocês não estão temerosos, a fim de que o leão rosnando, não possa apanhá-los? Vocês não estão temerosos Daquele que disse: "Porquanto vocês não tenham feito isto ao menor destes, vocês não terão feito isto a mim?". O que se seguirá? "Partam, vocês abomináveis, no fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos!".

19. No passado, quão cuidadosos vocês foram daquela palavra: "Tu não deverás odiar teu irmão, no teu coração: Tu não deverás, de maneira alguma, reprovar teu irmão, e não deverás permitir pecado junto a ele!". Você reprovou diretamente ou indiretamente, todos aqueles que pecaram às suas vista. E conseqüências felizes rapidamente se seguiram. Quão boa foi a palavra falada naquela ocasião! Foi freqüentemente como uma flecha na mão de um gigante. Muitos corações foram perfurados. Muitos valentes, que desprezaram ouvir um sermão caíram diante de sua cruz conquistada, e sentiram suas flechas mergulhadas no sangue.

Mas quem de vocês agora tem esta compaixão pelo ignorante, e por aqueles que estão agora fora do caminho? Eles podem desviar-se de vocês, e mergulhar no lago de fogo, sem impedimento ou obstáculo. O ouro tem endurecido seus corações. Vocês têm alguma coisa mais a fazer.  

Desamparados, sem clemência, que os infelizes caiam.

20. Assim, eu dei a vocês, Ó, vocês, ganhadores, amantes, possuidores de riquezas, um aviso mais (pode ser o ultimo). Ó, que não seja em vão! Possa Deus escrevê-lo em seus corações! Embora "seja mais fácil um camelo atravessar o olho de uma agulha, do que o rico entrar no reino dos céus"; ainda assim, as coisas impossíveis ao homem são possíveis a Deus. Senhor, fala! E mesmo os homens ricos que ouvirem essas palavras possam entrar em teu reino, e "tomar o reino do céu, veementemente"; possam "vender todos os objetos por um preço bom": possam estar "crucificados para o mundo, e considerar todas as coisas excremento, para que eles possam ganhar a Cristo!".

[Editado por Ralph E. Neil, Cátedra da Divisão de Filosofia e Religião da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

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