quarta-feira, 22 de junho de 2016

A FAMÍLIA E AS REDES SOCIAIS



Estamos vivendo uma nova era na história da humanidade. Invenções como o microprocessador, o computador pessoal, a internet e a fibra ótica causaram uma revolução sociocultural, sendo ferramentas importantes para a transição da Era Industrial, onde a indústria era o setor dominante de uma economia, para a Era da Informação, também conhecida como Era Digital ou Era Tecnológica, onde o conhecimento, em detrimento do trabalho braçal, é valorizado.

Esta sociedade pós-industrial é caracterizada pelo acesso fácil a informação, pois temos a possibilidade de saber muito em pouco tempo. Enquanto que nos séculos passados um cidadão comum demorava meses para tomar conhecimento de algo acontecido no outro lado do planeta, hoje em dia sabemos quase que instantaneamente. Tal facilidade na informação aproximou os povos. Culturas que antes eram consideradas exóticas se tornaram conhecidas e possíveis de serem praticadas mesmo a distância. Paradigmas foram quebrados, Oriente e Ocidente estão cada vez mais próximos transformando o planeta numa imensa “aldeia global”.


Um dos resultados desta aproximação através da tecnologia foi a criação e imensa popularização das chamadas “redes sociais”. Surgidas em meados da década de 1990, nos Estados Unidos, tem como característica principal propiciar a interação de milhares de pessoas em tempo real tendo como base as afinidades que possuem, as similaridades profissionais ou a amizade.

Existem redes sociais para todos os gostos: As profissionais que tem por objetivo gerar relacionamentos profissionais entre os usuários; As chamadas de ócio, que tem como objetivo reunir pessoas que pratiquem atividades de ócio (hobby), como esportes, vídeo games e etc; e existem as horizontais que são as mais populares, pois são dirigidas a todo tipo de usuário, não possuindo nenhuma temática definida nem um fim concreto.

Esta facilidade de interação que as redes sociais oferecem está mudando a atual forma de relacionamento entre as pessoas. Pois o ser humano é um ser social, e tem a necessidade de se relacionar. Somente busca o isolamento total, em definitivo, aquele que está sofrendo algum problema psicológico. As redes sociais prometem satisfazer esta busca constante que a humanidade possui em aproximar-se de si mesma. Mas que tipos de relacionamentos resultam desta aproximação? Pois se antes alguém chamava de “amigo” apenas um grupo seleto de seu convívio, hoje em dia é possível ter amizade com milhares de rostos e nomes desconhecidos.

Mas como estes relacionamentos superficiais, que são chamados de amizade, podem influenciar a família? Até que ponto podemos expor a intimidade de nossos lares para completos desconhecidos, sem comprometer a harmonia familiar? O que a Palavra de Deus pode nos ensinar sobre este assunto?

A família é a célula primaria da sociedade. Primeira instituição criada por Deus, com um propósito único: a satisfação do ser humano. A Bíblia nos diz que na criação, Deus achou muito bom tudo o que havia criado (Gn 1.31), apenas uma coisa não recebeu a aprovação do Divino Criador: a solidão do primeiro homem (Gn 2.18).

A família tradicional, formada por marido, esposa e filhos, tem a capacidade de suprir as necessidades emocionais e psicológicas do individuo. É através dela que a criança começara a se enxergar como um ser social, tendo o seu caráter formado através da observação do comportamento e do ensinamento dado por seus pais.

Ensinar exige paciência e dedicação. Mas como ensinar se muitos pais gastam horas de seu tempo livre nas redes sociais? E o que é pior, para conseguirem tempo livre, pois a criança exige a atenção dos pais, apresentam o mundo virtual para ela, transformando assim a internet numa “babá eletrônica”. Atualmente as crianças são apresentadas cada vez mais cedo ao mundo virtual.

Pais e filhos não podem se distanciar no convívio, pois conviver vai muito além de apenas morar na mesma casa. Conviver é viver junto, trocar experiências, dialogar, ensinar, compartilhar sentimentos. Mas como fazer isto se todos estão conectados individualmente em seu mundo virtual? Juntos na mesma casa, mas separados pela internet.

Os pais têm a obrigação perante Deus de ensinar “aos seus filhos, mostrando à geração futura os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que fez.” (Sl 78.4). O ensinamento cristão e bíblico deve ser dado em casa, a igreja e as classes infantis de Escola Bíblica Dominical apenas complementam o ensino oferecido em casa. Não podem delegar para as professoras do departamento infantil uma função que é sua. Devem instruir “o menino no caminho em que deve andar.” (Pv 22.6)

As redes sociais não podem ser o refúgio para o estresse do dia a dia, pois este é o papel da família. É nela que devemos buscar a tranquilidade para enfrentar um mundo cada vez mais agitado. É nela que nos alegramos e choramos, enfim, amadurecemos como indivíduos. Reuniões em família não devem jamais ser trocadas pelo bate papo virtual.

Os relacionamentos virtuais não podem prejudicar a união do casal, pois esta é maior união que um ser humano pode ter com outro. A Bíblia nos diz que marido e esposa são uma só carne (Gn 2.24), ou seja, duas vidas se tornam uma. No casamento não existe “meus problemas” e “seus problemas”, mas “nossos problemas”, as alegrias e tristezas devem ser compartilhadas.

Não existem “meus amigos” e “seus amigos”, mas “nossos amigos”, mas é isso que as redes sociais fazem, pois cada um tem seu grupo de amigos virtuais, e a separação é tanta que em muitos casais é comum os cônjuges não sabem a senha da rede social do outro. Hoje tem se tornado comum uma nova modalidade de adultério: O “adultério virtual.”

Devemos compartilhar nossas intimidades com quem escolhemos passar o restante da vida ao nosso lado, e não com pessoas que nem sabemos se a foto apresentada como sendo sua condiz com a realidade. Existem pessoas que fazem tudo para conseguir o maior número de “curtidas” e se esquecem de que há momentos que pertencem somente a família.

É obvio que como seres sociais que somos nosso convívio não fica restrito somente a família, mas ela deve ser o núcleo de nossa vida social. Temos colegas de trabalho, vizinhos, conhecidos e aquele “amigo mais chegado do que um irmão” (Pv 18.24b), é este tipo de amigo que faz bem e não os milhares de amigos virtuais, pois “o homem que tem muitos amigos sai perdendo”. (PV 18.24a) (ARA), as amizades verdadeiras devem ser cultivadas e valorizadas.



A internet e por consequência as redes sociais são uma realidade e podem fazer parte do dia a dia do cristão, pois são ferramentas úteis na pesquisa e na divulgação de pensamentos e ideias, mas ao acessa-las o servo de Deus deve ter duas palavras em mente: cuidado e moderação.

As redes sociais não podem jamais tomar o lugar da família, pois esta é uma benção de Deus para nós, que tem por objetivo a nossa plena realização social, emocional e psicológica. Nosso lar jamais pode perder seu verdadeiro sentido e significado, ou seja seu objetivo maior: Ser um lugar de amor e respeito.

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