sábado, 21 de janeiro de 2012

NIETZSCHE: A TEORIA EVOLUCIONISTA E O RACISMO NAZISTA



As teorias do século XIX sobre a evolução biológica e cultural deixavam fortemente implícita a probabilidade de um ramo da humanidade - o europeu - ter superado as outras raças no que diz respeito à evolução física e cultural. Um escritor que ousou desenvolver essa ideia até as suas conclusões lógicas foi o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900).

Os conceitos de Nietzsche, e de muitos evolucionistas de sua época, podem ser assim ilustrados: Pense em todas as sociedades humanas como se estivessem participando de uma gigantesca "maratona" cultural. O objetivo é correr da simplicidade cultural da Idade da Pedra até o máximo aperfeiçoamento cultural de uma sociedade ideal, em que a tecnologia domina a natureza. É lógico que se todos os corredores começarem na mesma linha de partida e fizerem o mesmo percurso em direção à mesma linha de chegada, sua participação na "maratona" tornará possível julgar os pontos positivos e negativos de cada um em uma única escala. Se as sociedades de qualquer ramo genético da humanidade tenderem a "assumir a liderança", por assim dizer, ficará provado que essa seção da humanidade também alcançou um nível superior de evolução física.

Esta conclusão foi inevitável: as sociedades com altas tecnologias do homem europeu eram "lideres da corrida" - com uma média de dois minutos por quilômetro ou mais que isso. Outras sociedades comparavam-se a corredores fazendo em média três, quatro e cinco minutos por quilômetro. As tribos primitivas ficavam atrás de todas; assemelhando-se a competidores cuja média não ficava abaixo de seis, sete ou oito minutos por quilômetro.

Nietzsche concentrou atenção especial sobre o corredor que se achava em primeiro lugar na maratona, dando-lhe o nome de "super-homem". O "super-homem" era um indivíduo qualificado para dominar a humanidade por causa de sua evolução mais rápida. Ele deve alcançar esse domínio tão somente pelo puro "desejo de poder"; não havendo necessidade de qualidades morais, já que o super-homem, segundo Nietzsche, estava "acima do bem e do mal".

Sem dúvida, Nietzsche e seus companheiros evolucionistas jamais imaginaram que outro alemão, Franz Boas, iria em breve destruir o conceito de supremacia racial européia. A obra de Boas, The Mind of Primitive Man (A Mente do Homem Primitivo), de 1911, marcou o início de uma revisão do exemplo acima, no qual todas as sociedades humanas participavam de uma única maratona. Na verdade, Boas insistiu em que muitas "maratonas" eram realizadas simultaneamente. Cada sociedade ou grupo de sociedades tinha seu próprio percurso e linha de chegada. Desse modo, não seria possível de maneira tão simples pesar os pontos "fortes" e "fracos" das sociedades numa só balança! A cultura que procurava harmonia com a natureza, por exemplo, não poderia ser julgada segundo as normas daquela que quisesse obter o domínio tecnológico sobre a natureza!

FRANZ BOAS

Ao aceitar esse critério, não seria, portanto, válido usar a cultura como um fundamento para extrair conclusões a respeito da superioridade inata de um ramo genético da humanidade sobre outros!

Era de se esperar que a rejeição do racismo europeu, por parte de Boas, nos poupasse de quaisquer efeitos negativos em potencial do pensamento racista. Porém , essas idéias não foram eliminadas assim tão facilmente. Cerca de três décadas após a morte de Nietzsche, um austríaco ambicioso chamado Adolf Hitler decidiu que, se os europeus forma considerados o povo mais altamente desenvolvido da humanidade, então ele e seus companheiros alemães seriam naturalmente o ramo mais qualificado dentre os mesmos, i.e., "a super-raça".

Desse modo, Hitler, como chefe da super raça, queria provar ser o super-homem. O restante da história permanece como um dos piores pesadelos da humanidade.

Os nazistas de Hitler naturalmente não gostavam de Boas nem de seus escritos! Nos anos 30, eles anularam um certificado honorário conferido a Boas pela Universidade de Kiel. Ao mesmo tempo, queimaram suas obras em público nas cidades da Alemanha.

O racismo nazista foi então fundado sobre a rejeição deliberada da evidência disponível.


Referência Bibliográfica:

RICHARDSON, Don; O Fator Mesquisedeque, O testemunho de Deus nas culturas por todo o mundo; 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 2008.






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