sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO SEGUNDO KARL BARTH




Karl Barth (1886-1968), é considerado por muitos como o teólogo cristão mais importante do século XX, pois com uma teologia centrada em Deus, baseada na revelação divina da Palavra de Deus em Cristo, Escritura e pregação, Barth contribuiu para a renovação do pensamento Cristão Protestante Ortodoxo do século XX. Pois para muitos estudiosos, dos anos 20 ao anos 60 parecia que o cristianismo ortodoxo seria derrotado pelo pensamento moderno que ganhava cada vez mais força e formava um liberalismo protestante clássico, com ênfase na subjetividade humana da religião.

Embora Barth tivesse sido atraído pelo liberalismo protestante clássico no início da carreira, suas experiências como pastor jovem de 1911 a 1921 levou-o a inverter sua posição teológica. A rejeição de Barth do liberalismo e seu otimismo alegre sobre a natureza humana foi somente aprofundada pelo imenso sofrimento da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Significativamente influenciado pelos escritos de Martinho Lutero, Barth voltou-se a revelação divina da Escritura em busca da verdade. Diferente do liberalismo protestante que via a Escritura nada mais que sabedoria humana e literatura bonita, Barth enfatizou que a Escritura continha a revelação de um Deus todo-poderoso e transcendente. Barth suspeitava das habilidades da razão humana e enfatizava a necessidade de o Espírito Santo tornar as palavras da Escritura em valor espiritual.

Karl Barth enunciou habilmente as doutrinas cristãs tradicionais. Através de seu trabalho, doutrinas cristãs essenciais, como a realidade do pecado e a separação de Deus, a importância da redenção em Cristo e a convicção em um Deus transcendente, recuperaram credibilidade acadêmica.

Em sua obra “A proclamação do Evangelho”, Barth faz uma incursão no domínio da teologia prática, onde através de uma visão dogmática abordará através de algumas regras e sugestões de ordem prática o seguinte tema: “O sermão e o modo de prepará-lo”

Para Barth a pregação tinha um duplo aspecto, era ao mesmo tempo Palavra de Deus e palavra humana. Palavra de Deus por que a pregação é Deus utilizando o serviço de um homem que fala em Seu Nome a seus contemporâneos por meio de um texto bíblico e palavra humana pois se trata de um homem anunciando aos seus contemporâneos o que ele tem a entender do próprio Deus explicando através de um discurso um texto bíblico.

O pregador tem que estar seguro de sua tarefa e mesmo apresentado a Palavra de Deus de uma maneira limitada, fazer um discurso da forma mais pessoal possível, não uma leitura ou exegese, mas o que ele entendeu do texto da Escritura, da maneira que ele recebeu para si mesmo.

A função do pregador é somente anunciar que Deus vai falar através da Palavra que será anunciada, não cabendo ao pregador construir uma pregação baseada em apelos a uma decisão daquele que escuta, pois a decisão não depende do pregador. Entretanto a pregação é exatamente um apelo endereçado à Igreja dos fiéis, cuja decisão depende da graça divina.

A pregação só poderia ser encarada como Kerigma, quando é feita conforme a Revelação, ou seja que Deus quer revelar-se, quando isso acontece a pregação tem lugar na obediência, escutando a vontade de Deus, a pregação não pode ser considerada como uma parceria entre o pregador e Deus, mas um ato de Soberania de Deus e obediência do homem.

A pregação está ligada a existência e a missão da Igreja. É por este motivo que ela deve ser conforme a revelação, não tendo nenhum acréscimo do homem, por mais que ele possa se esforçar, na pregação é Deus que vai em direção aos homens, gerando reconciliação.

Barth defende uma maior integração da pregação com os sacramentos, pois a pregação tira sua substância do sacramento tendo o mesmo sentido que ele, mas em palavras. Barth critica as posições da Igreja Romana onde existem os sacramento, mas a pregação é considerada sem importância e a Igreja Evangélica que também tem o sacramento mas não faz parte obrigatória do culto, para Barth as duas posições são uma espécie de destruição da Igreja, Barth defende a realização dos Sacramentos todos os domingos com Batismo no início do culto, pregação no meio e Ceia no final, pois somente assim a pregação podera remeter ao sacramento que deve interpretar.

A pregação deve submeter-se a fidelidade doutrinária, para que a Igreja possa ser edificada e ter a capacidade de desempenhar a tarefa dada por Deus.

Para que o ministério do pregador possa ser considerado autêntico ele tem que ser chamado por Deus, e pela igreja , tem que ter uma vida irrepreensível e ter um conhecimento teológico subordinado ao Espírito Santo, se tiver esses requisitos o pregador nunca irá procurar sua satisfação pessoal através da pregação, querer ser pregador sem ter estes atributos é uma pretensão que a Igreja não deve tolerar.

O pregador não pode querer fazer da pregação um sistema pessoal, mas querer mostrar através desta a justificação operada por Deus, não podendo ir além do que diz as Escrituras, subordinando o seu caráter e o seu comportamento a Palavra de Deus através de uma confiança irrestrita na Escritura, e ao mesmo tempo respeitá-la, estudar a Palavra com zelo e ser modesto diante das Escrituras, se apoiando no seu movimento, vivendo um intercâmbio com a Bíblia, pois se este comportamento não for levado a sério poderá corre o risco de se ensoberbecer por causa de sua missão e se tornará enfadonho.

As verdades cristãs precisam ser contextualizadas a cada dia, para que alcancem os corações dos ouvintes e por este motivo a pregação deve ser adaptada a comunidade por um pregador que a ama e vive perto dela se colocando em seu nível, sabendo o que dizer e na hora certa.

    Na segunda parte do livro Karl Barth trata da escolha e preparação de um sermão, mostrando todo o cuidado que o pregador deve ter desde a escolha de um texto bíblico, o estudo e melhor forma de executar o sermão, como por exemplo não fazendo uma introdução muito longa.

   Em uma época em que a pregação está cada vez mais desvalorizada, o livro “A Proclamação do Evangelho” de Karl Barth se faz cada vez mais atual e necessário, adentrando o século XXI como uma voz de protesto contra a morbidez espiritual que se alastra nos púlpitos enfraquecendo cada vez mais a Igreja de Cristo.  




Link para acessar o livro "A Proclamação do Evangelho" em PDF:
http://www.monergismo.com/textos/livros/proclamacao_evangelho_barth.pdf

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